quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Nem 8 nem 80


Brian Cattelle

Não tenho escrito, é certo!
Não tenho dado sinal de vida, é certo!
Ando arredia, é certo!
Ando desinspirada, também é certo!
Ando enfadada e aborrecida, é um facto.
Se ando de mal com a vida? Não, não ando. A vida é admirável, não me fez mal nenhum…
Acontece que neste hiato de tempo em silêncio, constato, ou melhor, confirmo a minha teoria da conspiração. Olho em volta, e para além das gaiolas virtuais, penduradas por aqui, por ali e por acolá, vejo-me ao espelho como uma peça obsoleta a levitar na realidade factual que nem as palavras que são levadas pelo vento, que afirmo eu, ser um (f)acto um tanto ao quanto ficcional...
Não me tenho como um ser antiquado, fundamentalista, quadrado, ou repassado no tempo, para além de ter presente os ditados, que atribuem ao “meio” ao "eixo" e à "metade" a virtude, o equilíbrio e o lado ponderado de todas as coisas. Mas hoje em dia, essa lengalenga não passa de uma grande fantasia. Por força dos tempos da era contemporânea - ó - moderna, o modo, a regra e o exemplo migraram do I para o III quadrante, tendo como base de referência o eixo axial espacial. Ou seja, o universo ficou de pernas para o ar, todo virado do avesso.
Nem 8 nem 80, dizem. Alvissaras aos 40, reza a regra do equilíbrio. Mas a regra, tem-se revelado uma grande merda, salvo as parcas excepções à regra, segundo dita a regra da regra.
Continuo a preferir o limite dos extremos, os "8" e os "80", mesmo consciente, e ciente de ser detentora de maus fígados. Ao menos sei que os fígados são meus, e, são genuínos. Talvez os encontrem por lá, pelos lados do II ou IV quadrantes, onde todas as realidades, prováveis e improváveis, são possíveis e coabitam em sintonia, abaixo ou acima da mesma linha de terra
.

12 comentários:

  1. A coisa tá brava, tá sim senhora. Não está fácil viver num mundo virado do avesso.

    Acreditei que a tua ausência, fosse por férias, ou por muito trabalho, afinal tás que nem eu, à procura do equilíbrio entre o 8 e o 80.

    Beijo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Enquanto procuro, mantenho o meu equilíbrio, desequilibrado ;)
      Beijoca boa, minha querida amiga conterrânea.

      Eliminar
  2. Certa é a qualidade inalterável da tua escrita. Sobre a prevalência dos extremos... tocamo-nos aí.

    Beijo, Sandra.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado, Eros :)
      Os extremos são limites que quando se tocam, nem sempre é bonito ver o resultado dali advindo. Mas quando a vida passa por dentro de nós e não ao lado, nem à frente, nem atrás, o resultado por vezes é desproporcionado relativamente ao nosso real tamanho.
      Viver é fácil, já saber viver é que não.
      Beijo, Eros.

      Eliminar
  3. Não há outra maneira. Equilíbrio (entre o 8 e o 80) só cortejando a insanidade.

    Um abraço.

    ResponderEliminar
  4. Vá...Deixa-te de coisas volta, lol
    Boa escolha na musica.

    Beijo doce

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Óh, nas eu não fui a lado nenhum, lololo.
      Obrigado, MM.
      Beijo

      Eliminar
  5. Respostas
    1. Ora bem, para ser 44, temos que elevar a fasquia até 88. Perece-me bem :)

      Eliminar
  6. Ser livre é agir
    no oito ou no oitenta

    ResponderEliminar