segunda-feira, 17 de abril de 2017

My Sweet Wish

Sebastião Salgado
África - Botswana


Eu adoraria deitar o meu pescoço, de asa aberta em voo rasante, naquela brisa amena de tempero almiscarado, onde o infinito não se faz barreira nem limite; e falo da minha raiz sem presença, noutra terra, noutro céu, noutra paisagem, por entre outras gentes, outras cores e outros perfumes; e mais falo da sua cultura de alheação de génese material e afectiva. 
O meu Norte, além-mar, tem aquele apego que não se despega a quem o carrega nas entranhas da alma.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Maria Jaquina

Street Art - Rua João de Deus, n.º 121, Vila Nova de Gaia
Maria Jaquina, filha da ti´Maria e do Ti´Jaquim, é casada com o Maneli, o padeiro da terrinha, e mora bem aqui ao lado, na Rua ao Virar da Esquina.
Pois é, Maria, pelo lado da mãe, Mulher pequenina, genuína como a sardinha; 
Jaquina, pelo lado do pai, Mulher de pelo na venta, como diz sua avozinha, menina simples, peito a eito e mão à cinta.
Ora aí está, a verdadeira conjugação explosiva, que faz da Maria, a Mulher de essência genuína, quer da cidade, quer da província. 
E sempre que a miro, cada vez mais a admiro, pois tenho nela a mão mestre que embala o berço da raça humana, e a estrela guia do norte da vida.

Digam lá, se ser Mulher, não é mesmo, a aventura de uma vida?!...

Então vá meninas, hoje o dia foi só nosso :)
Beijinhos para vós, 
Meninas, obviamente!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Porto de Abrigo

Mercuro B. Cotto
Ele carrega na alma
a calma do fio
de uma navalha afiada;
abre caminho
por entre espinhos,
costas escarpadas,
e tendas de circo
como quem aconchega sonhos
de algodão doce
em noites de seda velada.
Guarda o tempo no bolso,
a noite e o dia ainda são crias pequeninas…
Lança as velas ao vento,
folhas de papel crepe colorido,
por um fio,
trilho transparente,
quiçá inexistente.
Qual navalha que lhe dá o corpo
que lhe dá a alma, que o faz gente,
sangue do meu sangue frio a ferro quente,
ventre que pare a dor de um filho,
mão guardiã,
porto do meu abrigo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Tu

Noell Oszval - black cat
És a porta e a janela aberta
da pele que eu habito,
és o meu cheio e o meu vazio,
o meu silêncio e o meu grito.
Tu, és o colo que me aconchega,
o “Porto” Seguro do meu abrigo.
És o meu céu e o meu rio,
o meu jardim e a minha floresta,
és a minha paz
e também a minha guerra.
Tu és todo o meu amor,
e todo meu ódio,
és o melhor
e o pior que há mim.
Tu és a outra,
o extremo oposto do meu eu,
o lado insano de todo o meu ser
e de todo o meu sentir.
Tu, és a sombra 
que dá corpo ao meu viver.