domingo, 12 de fevereiro de 2017

Porto de Abrigo

Mercuro B. Cotto
Ele carrega na alma
a calma do fio
de uma navalha afiada;
abre caminho
por entre espinhos,
costas escarpadas,
e tendas de circo
como quem aconchega sonhos
de algodão doce
em noites de seda velada.
Guarda o tempo no bolso,
a noite e o dia ainda são crias pequeninas…
Lança as velas ao vento,
folhas de papel crepe colorido,
por um fio,
trilho transparente,
quiçá inexistente.
Qual navalha que lhe dá o corpo
que lhe dá a alma, que o faz gente,
sangue do meu sangue frio a ferro quente,
ventre que pare a dor de um filho,
mão guardiã,
porto do meu abrigo.

5 comentários:

  1. Fantástico, já tinha saudades :)

    É boa também a referência ao American Beauty, está cheio de pormenores deliciosos.

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  2. Todos os oceanos precisam do seu porto de abrigo. Gostei muito da profundidade do teu poema.

    Um beijinho, querida Sandra :)

    [Tenho saudades tuas. Espero que estejas bem]

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  3. Há pedras lá no fundo
    com vida por dentro
    Bj

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