terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Palavra Autista

Jerry Uelsmann
























Ora aqui estou eu de fronte para uma folha de papel virtual imaculada a lançar-lhe aquele olhar de matadora, mas a miúda, mais teimosa que um jumento, ignora-me qualquer resposta. Só pode ser publicidade enganosa, esta história dos olhos serem o espelho da alma. Nesta mesma medida começo a duvidar da famosa teoria da brancura do algodão, que não engana. Caramba, como esta luta em busca da conectividade é inglória. Estaremos perante uma realidade turva que se mostra desajustada à visão semicerrada, que me dá sempre jeito para filtrar impurezas?! Ou estaremos perante uma realidade de paridade impraticável quando é claramente visível e evidente o princípio de equidade?! Podemos também estar numa realidade alienígena, que nos olha como se fossemos uns seres estranhos e aberrantes acabados de ser paridos da tendinha dos horrores! Ou então, estamos definitivamente numa realidade mundial onde impera a cegueira autista.
Ora de volta ao início, aqui permaneço eu, queda e serena (quase a bater no teclado) a tentar comunicar com a miúda interactiva, mas ela continua na sua com a sua brancura luminosa e teimosa sem me conceder a mínima expectativa. Agora o que me dá ganas não é a miúda, mas sim o que ela representa. A realidade do mundo acontece deste lado, do lado de fora da porta, onde estou eu, onde estás tu, onde estamos todos nós, que preferimos o conforto da palavra autista.
Agora para terminar, deixo-vos com mais umas palavrinhas gastas.

No silêncio de um olhar
dizem-se coisas maravilhosas
que as palavras
não têm capacidade de comportar.
As minhas estão gastas
e tu mundo,
lamentavelmente,
estás muito longe de mim...

13 comentários:

  1. Maravilhoso texto!

    Abraços
    E espero a tua visita
    http://anseiosedevaneiossexuais.blogspot.pt/

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  2. Sandra, e tu tens andado em luta com a folha imaculada... Sentia a tua falta.
    Mas voltas com um belíssimo texto de olhos nos olhos.
    Aquela porta não pode permanecer fechada.:)
    Gostei muito!
    Beijos

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  3. Preferir o conforto da palavra autista é uma forma de terapia não achas?
    :)
    Belo texto!
    Um beijo grande

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  4. A porta por vezes é uma barreira que nos isola. Nunca é inglória a luta por querer vê-la aberta!
    Excelente partilha com muito sentido.
    Beijinho Sandra:)

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  5. Também eu fico, por vezes, a mirar o silêncio de uma folha. Outra vezes ignoro o que as palavras têm a dizer-me. E outras elas chamam e eu vou...

    Uma linda partilha, Sandra. :)

    Deixa a porta entreaberta, as palavras são inesperadas. :)

    Um beijo no teu coração, Sandra. :)

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  6. Há momentos em que as palavras transbordam e há outros em que estas mal se vislumbram, tão finas como uma apara de unha. Na verdade, elas estão sempre lá. Eu é que nem sempre as vejo.

    Querida Sandra, escreve quando quiseres e puderes, eu cá estarei para te ler. Gostei muito do teu texto, como sempre :)

    Um beijinho de amizade

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  7. Essa folha branca é uma mundana omnipresente, gosta de bater à porta de toda a gente. :)
    Gostei muito dessa "insatisfação", Sandra, há por aí muito conteúdo a querer respirar.

    Um abraço :)

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  8. Pedimos desculpas pelo incomodo... mas o nosso blogue sofreu algumas alterações . Dado que o Anseios e devaneios sexuais foi alterado e encontrar-se inativo.. DEIXAMOS O NOVO NOME DE BLOGUE E NOVO LINKE »» http://prazeresecarinhossexuais.blogspot.pt/?zx=e7c3217bdcc84085

    Gostaríamos que nos atualizasse. Obrigada. Beijinhos

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  9. Belo o seu texto
    nunca escrito numa folha em branco
    Cá estarei no virar da página

    Bj

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  10. Olá Sandra
    O desafio da folha em branco... magnífico. Um beijo

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  11. Eu estou aqui, na ombreira da tua porta, a espreitar as palavras.

    Beijos, Sandra :)

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  12. É na brancura de uma folha que todas as palavras são possíveis...! Gostei muito.

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