quarta-feira, 21 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Overdose
Título: Bleed
Fotógrafo: Olena Chernenko
Colecção: Vetta
A cabeça não tinha paragem
parecia um servidor a processar
os vencimentos da função pública
em véspera de pagamento,
tamanha foi a dose de palavras
que me injetaste na noite passada.
Voltas e mais voltas dei à cama,
não houve quem,
nem o que me desse a vinda do João-pestana.
O silêncio e a solidão
agudizaram o meu pavor à escuridão,
gritei, tentei fugir,
mas vi-me à mercê do colchão bicho-papão.
O coração bombeou a todo o vapor
uma respiração descontrolada,
e o ar perdeu o caminho da porta de entrada.
Em auto combustão,
o corpo entrou em falência,
colapsou e tombou de joelhos ao chão
afogado em mil e uma declarações de amor.
Sentada no parapeito da janela,
ainda com a boca seca
da ressaca da madrugada,
da ressaca da madrugada,
velo o meu corpo estendido ao relento do tempo
enquanto espero a chegada da alvorada,
para então partir na corrente do sol nascente
ao som do chilrear da passarada.
Sabes meu querido, para continuar a viver
não tive outro remédio
senão matar o corpo que tu fizeste tremer.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Palavras não ditas

Título: Red Autumn leaves falling in the woods
Fotógrafo: Henrik Soresensen
Fotógrafo: Henrik Soresensen
Colecção: Photonica
“Não sei o que me fica na mão
quando me dou desamparada e perdida.
Apanhada sem pé no chão,
tombo de asa rasgada na ferida!”
Ando aqui a dar voltas às palavras,
quando me dou desamparada e perdida.
Apanhada sem pé no chão,
tombo de asa rasgada na ferida!”
Ando aqui a dar voltas às palavras,
para tentar fazer rimas bonitas,
mas hoje emudeci.
O peito encheu-se-me de ti
e não dita o que o deve ser mantido
no seio do meu tanto te querer.
Porque há palavras que são tanto mais bonitas
Porque há palavras que são tanto mais bonitas
quando guardadas no silêncio das palavras não ditas,
aquelas que guardo dentro de mim, só para ti.
domingo, 11 de agosto de 2013
Grito Autista
Título: Scream till there's silence.
Fotógrafo: ~skye.gazer
Colecção: flickr
Nesse dia
o céu tremeu,
a terra abriu,
o céu tremeu,
a terra abriu,
soltei as amarras,
cortei as correntes,
e destruí o rasto das sombras
de um fantasma
em tempo tido como gente.
Nesse dia
o copo partiu,
o copo partiu,
ceguei,
emudeci,
ensurdeci,
digo até mesmo que morri,
para ti, para ti e para ti.
Foi nesse dia
que rasguei a ferida
enterrei o ser,
e virei bicho
ou uma outra coisa qualquer.
domingo, 4 de agosto de 2013
Exaustão
Título: Exploding hourglass on black background, digital composite
Fotógrafo: Jonh Lund
Colecção: Photodisc
Porquê? Porque sim!
Por ser o momento certo,
parti a ampulheta,
e devolvi a areia ao deserto.
O tempo que há-de vir
só ao tempo diz respeito,
não quero ver,
não quero ouvir,
nem quero saber.
Agora só quero é dormir.
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