sexta-feira, 27 de junho de 2014

Da (Des)Confiança

Título: Milke and blue
Fotógrafo: Olena Chernenko
Colecção: Vetta

Após o leite derramado,
a confiança demora uma eternidade 
a reconstruir,
mas basta uma fracção de segundos
para que volte a partir...

Hoje a dor gritou a ira,
foi aguda,
quase me levou à loucura.

Quase...

Desta vez recuso-me beber
dúvidas
em copos de agonia.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Canção do Mar

Título: Ocean at night
Fotógrafo: Sam Diephuis
Colecção: Stone

Chegou da duna
a caminhar
devagar,
no corpo trazia
a menina,
e a mulher
no olhar.
Sentou-se
na berma da areia,
aconchegou
a cabeça no regaço
da lua-cheia
e deixou-se
embalar
pela canção
do mar.

sábado, 14 de junho de 2014

Ideia Peregrina



















Título: Dependence;
Fotógrafo: Olena Chernenko;
Colecção: Vetta

Deve ser por sabê-la uma eterna romântica
ou quiçá uma alma perdida,
que de vez em quando
o coração é-lhe sugado para enche-lo de vida;
e sempre que ela se dá
em doces prestações,
ele abre a mão e mata-a de seguida.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Penedo

Título: Love
Fotógrafo: Olena Chernenko
Colecção: Vetta
  
Há quem diga
que ele carrega um penedo
no ventre do peito,
que sempre que bate saudade
ela rasga por dentro.
Há quem diga
que apesar do tempo,
aquela dureza
tremenda
ainda lhe enche a lágrima
de tristeza!

domingo, 8 de junho de 2014

Cadeira Vazia

Título: Chair
Fotógrafo: Billy Currie Photogtaphy
Colecção: Moment Open

O envolvimento
que os unia,
a empatia,
a vontade,
o gostar,
o desejo de matar
a sede da alma
no corpo,
esfumou-se
no ar...
O vazio
vai-se instalando
dentro dela
sempre que o olha
à distância,
e vê a cadeira à beira mar,
vazia.

Tu já não estás lá à minha espera,
foste embora,
e nem disseste adeus.
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Penhoras

Título: Slovenia, naked woman
Fotógrafo: WIN-Initiative
Colecção: WIN-Initiative

Já reparaste Maria,
que sempre que uma mulher
entrega o corpo
ao jogo da sedução
penhora sempre o coração?!

E quase sempre de forma irreversível.



Glossário:
Maria - Maria, Maria simplesmente, simplesmente Maria, a Menina, a Moça, a Mulher que nasce e morre a toda a hora do dia. Os nomes, são meras vestes que lhe dão as cores e os sabores da vida.

sábado, 31 de maio de 2014

Rosto sem Retrato

Hoje encheu-se-me a alma de mar
Porto, 31 de Maio de 2014

Neste navegar até “ti” perdi-me de mim, só, no meio do oceano sem ter uma mão ou um casco de madeira velha onde me agarrar. Sinto falta de colo, sempre me fez falta desde criança. A minha mãe não me deu alma, deixou-me apenas como herança as presas e as garras onde me firo, onde afio o fio do meu negro feitio, onde me agarro e onde me tenho a salvo deste mundo sem sentido.
É caricato, é irónico! Mas só assim me sinto, no extremo do meu limite, no auge da ruína, na teoria do caos, no trágico, no polémico, no perverso, no manicómio insano da minha mente.
Sou um fosso de mim mesma, sem vergonha de assumir a catástrofe emocional, o desastre, a mão imperfeita atarraxada a um corpo de patinho feio quando me olho ao espelho. Não me sei ser de outra maneira sem me dar inteira, quer na alegria, quer na tristeza, até à última réstia de mim se ver resumida a pó de cinza. Só assim sinto que a vida passa dentro de mim, não atrás nem ao lado como diz um qualquer ditado.
Se sou feliz assim? Sou sim, entregue só a mim e a mim mesma, sempre me conheci assim desde o dia em que me conheci.
Como disse, assumida sem enfiar a cabaça na areia, não sou exemplo, não sou receita, sou espontânea, verdadeira, sou intensa e acima de tudo mais teimosa que eu mesma.