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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Enredos de Palco























Francesca Woodman

Não te agastes meu querido,
tudo aquilo foram meras manobras de diversão
que nos desviaram o ser
e a nossa essência de rectidão.
Foi na dança de marfim,
entre véus
e marionetas,
que o jogo de conquista
se perdeu a favor das peças espertas.
Nada nos enganou, nada nos feriu,
nada nos tolheu o discernimento e a razão
com iras desmedidas,
tamanhas foram as histórias,
as mentiras,
e as sedes loucas e famintas
que ficaram por beber.
E neste eterno perder
sente-se falta de ter à mão
o tempo que foi
antes do dia amanhecer.
Neste rigor quero-te,
mas não assim,
nesta parca existência de mim,
da qual me resto rasto do perfume do jasmim
que tens plantado no teu jardim.
Hoje demito-me do estrelato
deste enredo de palco,
e saio de olhar acima do meu nariz empinado,
dando como encerrado o primeiro capitulo do nosso livro
que ainda não se fez prova de escrito vivo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Maria do Deserto


Título: Female nude curled up in sand dune
Fotógrafo: Timothy Hearsum
Colecção: Photonica

Por quem és 
alma de Mulher, 
ave de rapina
concebida na pena 
da asa rasgada na ferida!
Por quem és 
coração de Menina,
de nome Maria
nomeada à doce mão
e fina pena da vida!
Quiçá rosto macerado,
de olhar distante
em triste baço,
de que resto, 
hoje só me resto
rasto de um ventre seco,
de qual vazio parido 
no rigor frio
do tempo deserto.

Tem dias que nada apetece, nada consola, nada preenche, e tudo aborrece. Hoje o meu dia foi assim, azedo, destemperado e vazio.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Silhueta do medo

Francesca Woodman

Ele sabe que por detrás daquele olhar sereno, doce e meigo mora uma mente aberta de alma inquieta, cativa e borboleta. Ele sabe também que aquela silhueta de gazela, nudez frágil de seda pálida, macia e quase casta carrega no ventre a alma do mar. Mas de que lhe adianta ter à mão coração e sabedoria para desembrulhar o sopro da vida se o medo ainda lhe é um cão danado!