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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

magia matinal

30/11/2018 Cais Capelo Ivens - Marginal Ribeirinha de Vila Nova de Gaia

Sempre esperei ver-me à mercê da mudez,
não do encarceramento das palavras,
mas do emudecimento perante a beleza do momento.
Quero retribuir-me e não consigo,
de me ver assim,
intrincada num redemoinho de profundas emoções.
Hoje, deponho as palavras mais bonitas,
as que tenho guardado debaixo da pele,
nas asas de um Sonho meu.
Sonho que assim é,
e que assim deve permanecer, intacto,
imaculado no tempo e no espaço para nunca morrer,
enquanto memória minha
houver.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

My Sweet Wish

Sebastião Salgado
África - Botswana


Eu adoraria deitar o meu pescoço, de asa aberta em voo rasante, naquela brisa amena de tempero almiscarado, onde o infinito não se faz tempo, nem barreira e nem limite; e falo da minha raiz sem presença, noutra terra, noutro céu, noutra paisagem, por entre outras gentes, outras cores e outros perfumes; e mais falo da sua cultura de alheação de génese material e afectiva. 
O meu Norte, além-mar, tem aquele apego que não se despega a quem o carrega nas entranhas da alma.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mortalha do Sonho

Sayaca Maruyama





















Acordei do outro lado da rua ainda com o pijama vestido. Estava de costas voltadas ao muro da vizinha de cigarro aceso na ponta dos dedos, quando do nada te vejo chegar ao volante de um descapotável azul-escuro. (Está visto que não percebo nada de carros!)
Estacionaste o carro mesmo ao meu lado, mas a minha silhueta, o alvo da tua cegueira, está do outro lado, atrás da cortina da minha janela de guilhotina, a estudar sentada à escrivaninha. (A minha falecida mãe estaria a fazer o jantar e o meu pai ainda não teria chegado do seu último café diário).
Permaneço obsoleta à margem do enredo, mas consigo ver claramente o meu ar de espanto a olhar para ti num sorriso franco rasgado de orelha a orelha, como se não houvesse amanhã. Saíste do carro devagar como se estivesses a filmar a última cena de um filme de cinema. Retenho na memória uma imagem turva em tons de sépia, desenhada a pau de canela numa folha de papel cenário e uma figura altiva de cabelos grisalhos, olhos negros num rosto vincado de tez morena e alma cigana. Eu, ainda debutante saí de casa saltitante ao teu encontro com aquele brilho inato de menina ingénua e inocente. Meus Deus, como nessa altura ainda era uma alma crente…
Sinto-me impotente, observo-nos do outro lado da rua sem nada poder fazer, tu não me ouves, tu não me vês e ainda não me conheces.
Pegaste-me na mão direita, levaste-a contra o teu peito, deste-me um sorriso e segredaste-me ao ouvido do lado do coração, para que as paredes do mundo não te pudessem ouvir, que eu era tal e qual como me tinhas imaginado, um Sonho, e um Sonho assim deve permanecer, intacto, imaculado no tempo e no espaço para nunca morrer.
Deste lado da madrugada, a janela embaciou a rua, o céu perdeu a lua, e o filtro da vida continua a queimar a mortalha do sonho.













Os Sonhos são Asas de Borboletas, belas, frágeis e singelas como a porcelana chinesa, casquinha de ovo, pintada à mão com cores proibidas.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Planos Paralelos






















“Power of Imagination” by Barbara Stéger

Quando dois planos paralelos
se intersectam,
inexplicavelmente,
o milagre acontece.
Ilusão ou não,
a impossibilidade
ganha corpo sobre a razão,
e, por instantes apenas,
o sonho pousa na palma da mão!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Noite Sonhada

Sandra Louçano
Restaurante D. Tonho, Porto

A eternidade da espera, para estarmos juntos uma noite inteira, foi tão severa que sem mais delongas, despidos de todos os formalismos, entramos no primeiro recanto escondido que encontramos para jantar.
O restaurante de gastronomia típica regional oferecia uma decoração rústica e aconchegante, mesmo ao nosso gosto.
O teu bife de lombo ao molho de manga com batata a murro enrolada em prata, a minha espetada de lulas e gambas ao alho, e mais uns quantos vegetais salteados, foram entremeados entre vinho, palavras, olhares e sorrisos tímidos, como se fossemos dois perfeitos estranhos durante a primeira descoberta. A sala cheia acolhia os amantes num murmurinho de conversas mudas e ouvidos cegos aos olhos alheios.
Do lado de fora, a noite de Porto à sexta é palco eufórico onde os corpos extravasam de mais uma semana louca do trabalho. Prolongamos o prazer da conversa e saímos tarde. Não estava frio, mas para os lados da Ribeira o nevoeiro denso era quase certo;
- Um café?
- Sim, à beira rio, disse eu!
No Porto a neblina, do outro lado levanta-se o véu sobre o rio de mão dada com a maré.
Tomaste de imediato o café, gostas dele bem quente. Eu saboreei-o primeiro ao leve encosto de lábios e deixei-o arrefecer lentamente enquanto o bebericava de olhos postos na imagem do velho casario de granito, casado com o rio e de braço estendedido até ao mar.
A viagem de regresso não permitiu visualizar a amplitude daquela paisagem, mas a cegueira do momento guardou a contemplação de uma noite sonhada, enquanto a música de fundo trauteava alegria entre olhares que estenderam cumplicidades até de manhã.
Apesar do nevoeiro e do espelho negro, tudo à nossa volta estava muito claro aquela hora.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Prelúdio













Título: Young woman’s face & Watercolor in absrtract
Fotógrafo: Michael Gosbee
Colecção: The Image Bank

Ele é o momento
batel do meu tormento,
aquele que me doma,
que me toma
e me enche o peito de desassossego.
E sempre que o penso,
sobrevoo de olhos fechados 
por sítios que o meu corpo nunca sentiu.
Dos desertos 
às terras quentes da Savana Africana,
caminho pelas teias da noite
pintadas com as cores da luxúria
e mergulho nua
mar adentro prenhe de ti.

sábado, 29 de novembro de 2014

Serenata

Fotógrafo: Hannah Lemholt Photography
http://honeypielivingetc.blogspot.pt/

Ali estás tu, silhueta de gazela deitada no leito do meu desassossego, como quem espera por uma serenata na seda das noites de lua cheia.
Vejo tudo o que olhos podem alcançar mas as saudades de ti só me deixam imaginar-te...Sorriso fácil, olhar franco verde cintilante, cabelos de cheiro a jasmim, lábios de cereja, abraço de hortelã, três borboletas e uma flor trepadeira…
Três borboletas pequeninas e mimosas tatuadas a nanquim no ventre de mim! Quantas vezes esvoaçaram elas a pauta do desejo em busca do beijo de travo a amora silvestre…Quantas vezes sobrevoaram elas a terra quente perfumada a café torrado e a canela…Quantas vezes cederam elas ao grito ensandecido no travesseiro do derradeiro suspiro…Quantas vezes resgataram elas a minha alma da queda no precipício…Quantas vezes…Digo eu, que daqui a fito e que em cativo a mantenho no limbo insano do meu ser…
E ali estás tu, semi-mulher, semi-menina, queda à minha espera, no contraste que tão bem e ainda me caracteriza, ora doce, ora felina, ora contida, ora atrevida, mas tu, a mulher-menina que ainda hoje me desafia e desatina…
Sabes rapariga? Fazes-me falta como a chave que abre a porta do horizonte para além do nascer do sol. Fazes-me falta para que a vida seja mais doce e mais leve de carregar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Náufrago


Título: Mi cabeza es una multitude de caras olvidadas
Fotógrafo: Kasia Derwinska
Colecção: Moment

Sabe de cor o gosto
do mosto,
como sabe de cor
os contornos do rosto,
as linhas do corpo
e a palavras doces
que lhe arrepiam o dorso.
E sempre que aninha
aos olhos da lua madrugada,
ordena as letras do seu nome
na areia da terra molhada,
que as ondas do desejo
levam em segredo
para o fundo do alto mar.

domingo, 10 de agosto de 2014

Imagina...























Título: Smoke abstraction
Fotógrafo: Mladen Mitrinovi&#263
Colecção: E+

Imagina a linha costura
encaixada na força da agulha
que toma posse da minha doçura.
Imagina a curva do delírio,
silhueta desnuda à penumbra
de olhar cativo.
Onda de fumo serpenteante
trepa pelo ar que respiras, 
e tu, inspiras o agito devagar,
e o “menino” chora o grito do mar,
e a par, o piano do bar
bebe a seda da noite pulsante
em acordes vibrantes
e salgados.

domingo, 20 de julho de 2014

Amor Casto























Título: Direction
Fotógrafo: DNY59
Colecção: E+

Construíram
um farol de cristal,
uma corrente transparente,
uma ponte sentimental;
Sabem que a única forma que têm
de fazer perdurar
aquela cumplicidade de olhar
para além de um punhado de tempo,
entre o céu e o mar,
é vedar a dança nupcial
à morte do beijo
nas teias do desejo.
Eles sabem que só assim,
daquele jeito,
aquele amor casto
jamais será quebrado…

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Canção do Mar

Título: Ocean at night
Fotógrafo: Sam Diephuis
Colecção: Stone

Chegou da duna
a caminhar
devagar,
no corpo trazia
a menina,
e a mulher
no olhar.
Sentou-se
na berma da areia,
aconchegou
a cabeça no regaço
da lua-cheia
e deixou-se
embalar
pela canção
do mar.

domingo, 2 de março de 2014

Fumaça

Título: Woman in white dress with umbrella
Fotógrafo: Jill Wacher
Colecção: Photolibrary

És, assim como eu,
massa da mesma safra,
um fio de fumo,
uma nuvem de fumaça,
uma nesga de tudo,
um fundo profundo de nada.
Mas, quando as sombras
dos nossos fantasmas se fundirem,
o tempo vai parar
na eternidade da valsa
dançada num tango.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Wings of a Butterfly


Título: Photomanipulation
Fotógrafo: Sara Haas
Colecção: Flickr Select

Why do you make me cry?
Why?
Why don't you allow us to fly,

together above the sweet cloudy sky
until we fall and die
on the wings of a butterfly!

sábado, 21 de setembro de 2013

Maria Ruiva a Peça de Teatro


Título: Autumn Walk
Fotógrafo: Olena Chernenko
Colecção: Vetta

Todos os dias, à mesma hora o portão do casarão abre, e eis que surge um traço de miúda que se afigura na paisagem como uma miragem, uma febre de fenos, um delírio de verão.
De lá vem descalça Maria Ruiva, a menina das sardas endiabradas, bamboleando-se lentamente até à fonte, deixando atrás de si um rasto de perfume de flores de jasmim, paralisando o tempo que a vê passar.
De costas voltadas à plateia, ignora a cobiça dos olhos alheios e debruça-se sobre a fonte. Nas mãos leva a frescura da água à boca, ao rosto e ao pescoço que lhe desce a fio pelo fio do corpo. Ergue-se num movimento de camara lenta, endireita-se como quem sacode a poeira e com os dedos ainda molhados penteia para trás os seus longos cabelos vermelhos.
A passarada faz coro em melodia e o cenário fica perfeito quando a brisa atrevida trepa aquela rebeldia vestido acima fazendo a delícia de quem aplaude e aprecia.
Composta e recomposta olha em volta, suspira, esboça um derradeiro sorriso, e conforme entrou em palco, lentamente se afasta, diluindo-se no horizonte do sol poente como uma estrela de cinema em fim de cena.

domingo, 30 de junho de 2013

Jardins Proibidos



















Título: Oak Tree in Mist
Fotógrafo: laura a. watt
Colecção: Flickr

De novo o teu rosto
deu corpo ao meu sonho.
Demos um abraço sem igual
como se o amanhã não nos fosse real.
Demos as mãos,
e de mãos dadas andamos
pelas ruas despidas,
aos olhos de janelas cegas e mudas.
Mas continuamos no nosso jogo das escondidas
por becos e esquinas
como duas crianças traquinas.
Trocamos palavras bonitas,
fizemos juras de amor eterno,
e talhamo-nos na pele de um carvalho
como prova viva
da nossa existência
no paraíso dos jardins proibidos.
A corda do tempo não parou,
a realidade caiu em mim,
e mais uma vez de joelhos ao chão, gritei.
Sempre que nos encontrámos,

é para nos despedir
.


"Jardins Proibidos" - Paulo Gonzo e Olavo Bilac

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Flor do Deserto
















Título: Pink Flower Dress
Fotógrafo: Olena Chernenko
Colecção: Vetta

Esta noite, o teu rosto
ganhou corpo no meu sonho.
Abraçaste-me por trás,
pousaste um beijo suave no meu pescoço,
e um gosto de ti ao ouvido.
Estremeci, acordei,
revolvi-me do avesso e gritei.
Não me sei ver resumida a um ser insignificante,
tão pouco ser um grão de silêncio na imensidão do teu universo.
Revolver-me-ei sempre do avesso
até te ser uma rosa de emoção em pleno deserto.